sábado, 24 de dezembro de 2011

Jesus Cristo nunca existiu [La Sagesse]

Os pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do cristianismo sabem que, desde o Século II de nossa era, tem sido posta em dúvida a existência de Cristo. Muitos até mesmo entre os cristãos procuram provas históricas e materiais para fundamentar sua crença. Infelizmente, para eles e sua fé, tal fundamento jamais foi conseguido, porquanto, a história cientificamente elaborada denota que a existência de Jesus é real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram interesse religioso e material em prová-la.

Desse modo, a existência, a vida e a obra de Jesus carecem de provas indiscutíveis. Nem mesmo os Evangelhos constituem documento irretorquível. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus, os quais não fazem qualquer referência ao mesmo. Por outro lado, a ciência histórica tem-se recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com intenção de provar-lhe a existência física. Ocorre que tais documentos, originariamente, não mencionavam sequer o nome de Jesus; todavia, foram falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de documentação verdadeira.

Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim é que, por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os que tiveram coragem ousaram contestar os seus pontos de vista, os seus dogmas.

Por tudo isso é que o Papa Pio XII, em 955, falando para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: “Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé, e não à história”.

Emílio Bossi, em seu livro intitulado “Jesus Cristo Nunca Existiu”, compara Jesus Cristo a Sócrates, que igualmente nada deixou escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou o que é natural e racional, ao passo que Jesus ter-se-ia apenas preocupado com o sobrenatural. Sócrates teve como discípulos pessoas naturais, de existência comprovada, cujos escritos, produção cultural e filosófica passaram à história como Platão, Xenófanes, Euclides, Esquino, Fédon. Enquanto isso, Jesus teria por discípulos alguns homens analfabetos como ele próprio tê-lo-ia sido, os quais apenas repetiriam os velhos conceitos e preconceitos talmúdicos.

Sócrates, que viveu 5 séculos antes de Cristo e nada escreveu, jamais teve sua existência posta em dúvida. Jesus Cristo, que teria vivido tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia apesar disso ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem sido encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os historiadores não lhe fizeram qualquer alusão.

Além disso, sabemos que, desde o Século II, os judeus ortodoxos e muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de existência de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam, assim, os homens divididos em duas posições: a dos que, afirmando a realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação, perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a coragem de contestá-los.

O imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da tutela religiosa difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos séculos contribuiu para que homens cultos e desejosos de esclarecer a verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a mistificação que tem sido a base de todas as religiões, inclusive do cristianismo. Surgiram também alguns escritos elucidativos, que por sorte haviam escapado à caça e à queima em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza contribuíram decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção científica e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de sua vida, direitos e obrigações.

A sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de vida e moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes incute a religião. Contudo, é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam subjugados pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e inaceitáveis.

Jesus Cristo foi apenas uma entidade ideal, criada para fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo em face da diáspora, destruição do templo e de Jerusalém. Teria sido um arranjo feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença. Ultimamente, têm-se evidenciado as adulterações e falsificações documentárias praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a existência real de Cristo. Modernos métodos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica e muitos outros, denunciaram a má fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases com uma doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e inteligentes do que eles, assim como denunciaram os meios fraudulentos de que se valeram para provar a existência do inexistente.

É de se supor que, após a fuga da Ásia Central, com o tempo os judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se adaptando às crenças religiosas dos diversos povos que já viviam na Ásia Menor. Após haverem passado por longo período de cativeiro no Egito, e, posteriormente, por duas vezes na Babilônia, não estranhamos que tenham introduzido no seu judaísmo primitivo as bases das crenças dos povos com os quais conviveram. Sendo um dos povos mais atrasados de então, e na qualidade de cativos, por onde passaram, salvo exceções, sua convivência e ligações seria sempre com a gente inculta, primária e humilde. Assim é que, em vez de aprenderem ciências como astronomia, matemática, sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do homem inculto e vulgar.

Quando cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que constituíram a nata, o escol do seu meio social, nas horas vagas, iriam copiando o folclore e tudo o que achassem de mais interessante em matéria de costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud, o livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem. Por uma série de circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a atividade de pastor, agricultor e mesmo de artífice, passando a dedicar-se ao comércio.

A atividade comercial do judeu teve início quando levados cativos para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe moveria o próprio cristianismo, a partir do século IV. Daí em diante, a preocupação principal do povo judeu foi extinguir de seu meio o analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios. Deve-se a este fato ter sido o judeu o primeiro povo no meio do qual não haveria nenhum analfabeto. Destarte, chegando a Roma e a Alexandria, encontrariam ali apenas a prática de uma religião de tradição oral, portanto, terreno propício para a introdução de novas superstições religiosas. Dessa conjuntura é que nasceu o cristianismo, o máximo de mistificação religiosa de que se mostrou capaz a mente humana.

O judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua grande habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular, penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive os palácios imperiais. Crestus, o Messias dos essênios, pelo qual parece terem optado os judeus para a criação do cristianismo, daria origem ao nome de Cristo, cristão e cristianismo. Os essênios haviam-se estabelecido numa instituição comunal, em que os bens pessoais eram repartidos igualmente para todos e as necessidades de cada um tornavam-se responsabilidade de todos.

Tal ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu, ao escravo, a plebe, enfim, a gente humilde. Daí, a expansão do cristianismo que, nada tendo de concreto, positivo e provável, assumiu as proporções de que todos temos conhecimento. Não tendo ficado restrita à classe inculta e pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar adeptos entre os aristocratas e bem-nascidos.

De tudo o que dissemos, depreende-se que o cristianismo foi uma religião criada pelos judeus, antes de tudo como meio de sobrevivência e enriquecimento. Tudo foi feito e organizado de modo a que o homem se tornasse um instrumento dócil e fácil de manejar, pelas mãos hábeis daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de rendimentos.

Métodos modernos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica, o uso dos isótopos radioativos e radiocarbônicos, denunciaram a má fé daqueles que implantaram o cristianismo, falsificando escritos e documentos na vã tentativa de provar o que lhe era proveitoso. Por meios escusos tais como os citados, a Igreja tornou-se a potência financeira em que hoje se constitui. Finalmente, desde o momento em que surgiu a religião, com ela veio o sacerdote que é uma constante em todos os cultos, ainda que recebam nomes diversos. A figura do sacerdote encarregado do culto divino tem tido sempre a preocupação primordial de atemorizar o espírito dos povos, apresentando-lhes um Deus onipotente, onipresente e, sobretudo, vingativo, que a uns premia com o paraíso e a outros castiga com o inferno de fogo eterno, conforme sejam boas ou más suas ações.

No cristianismo, encontraremos sempre o sacerdote afirmando ter o homem uma alma imortal, a qual responderá após a morte do corpo, diante de Deus, pelas ações praticadas em vida. Como se tudo não bastasse, o paraíso, o purgatório dos católicos e o inferno, há ainda que considerar a admissão do pecado original, segundo o qual todos os homens ao nascer, trazem-no consigo.

Ora, ninguém jamais foi consultado a respeito de seu desejo ou não de nascer. Assim sendo, como atribuir culpa de qualquer natureza a quem não teve a oportunidade de manifestar vontade própria. Quanta injustiça! Condenar inocentes por antecipação. O próprio Deus e o próprio Cristo revoltar-se-iam por certo ante tão injusta legislação, se os próprios existissem.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Preconceito cultural [Ferreira Gullar]

De alguns anos para cá, passou-se a falar em literatura negra brasileira para definir uma literatura escrita por negros ou mulatos. Tenho dúvidas da pertinência de uma tal designação. E me lembrei de que, no campo das artes plásticas, em começos do século 20, falava-se de escultura negra, mas, creio eu, de maneira apropriada.

Naquele momento, a arte europeia questionava o caráter imitativo da linguagem plástica e descobria que as formas têm expressão autônoma, independentemente do que representem, ou seja, não é necessário que uma escultura imite um corpo de mulher para ter expressão estética, para ser arte.


As esculturas africanas, trazidas para a Europa pelos antropólogos, eram tão "modernas" quanto as dos artistas europeus de vanguarda, já que fugiam a qualquer imitação anatômica. Foram chamadas de arte negra não apenas porque as pessoas que as faziam eram da raça negra e, sim, porque constituíam uma expressão própria a sua cultura.

Não é o caso da literatura. A contribuição do negro à cultura brasileira é inestimável, a tal ponto que falar de contribuição é pouco, uma vez que ela é constitutiva dessa cultura.

O Brasil não seria o país que o mundo conhece -e que nós amamos- sem a música que tem, sem a dança que tem, criada em grande parte pelos negros.

Ninguém hoje pode imaginar este país sem os desfiles de escolas de samba, sem a dança de suas passistas, o ritmo de sua bateria, a beleza e euforia que fascinam o mundo inteiro.

Uma parte dessas manifestações artísticas é também dos brancos, mas constituem, no seu conjunto, uma expressão nova no mundo, nascida da fusão dos muitos elementos de nossa civilização mestiça.

Certamente, os estudiosos reconhecem que, sem o negro e sua criatividade, seu modo próprio de encarar a vida e mudá-la em festa e beleza, não seríamos quem somos. Mas teria sentido, agora, pretender separar, no samba, na dança, no Carnaval, o que é negro do que não é? E já imaginou se, diante disso, surgissem outros para definir, em nosso samba, o que é branco e o que é negro?

E, em função disso, se iniciasse uma disputa para saber quem mais contribuiu, se Pixinguinha ou Tom Jobim, se Ataulfo Alves ou Noel Rosa, se Cartola ou Chico Buarque?

Felizmente, isso não vai acontecer, mesmo porque, nesse terreno, ninguém se preocupa em distinguir música negra de música branca. O que há é música brasileira.

Mas, infelizmente, na literatura, essa descriminação começa a surgir. Não acredito que vá muito longe, uma vez que é destituída de fundamento, mas, de qualquer maneira, contribuirá para criar confusão. Falar de literatura brasileira negra não tem cabimento. Os negros, que para cá vieram na condição de escravos, não tinham literatura, já que essa manifestação não fazia parte de sua cultura.

Consequentemente, foi aqui que tomaram conhecimento dela e, com os anos, passaram a cultivá-la. Se é verdade que, nas condições daquele Brasil atrasado de então, a vasta maioria dos escravos nem sequer aprendia a ler -e não só eles, como também quase o povo todo-, com o passar dos séculos e as mudanças na sociedade brasileira, alguns de seus descendentes, não apenas aprenderam a ler como também se tornaram grandes escritores, tal é o caso de Cruz e Souza, Machado de Assis e Lima Barreto, para ficarmos nos mais célebres.

Cruz e Souza era negro; Machado de Assis, mulato, mas tanto um quanto outro foram herdeiros de tendências literárias europeias, fazendo delas veículo de seu modo particular de sentir e expressar a vida. Não se pode, portanto, afirmar que faziam "literatura negra" por terem negra ou parda a cor da pele.

Pode ser que os que falam em literatura negra pretendam valorizar a contribuição do negro à literatura brasileira. A intenção é boa, mas causa estranheza, já que o Brasil inteiro reconhece Machado de Assis como o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Pelé como um gênio do futebol e Pixinguinha, um gênio da música.

Contra toda evidência, afirmam que só quando se formar no Brasil um grande público afrodescendente os escritores negros serão reconhecidos, como se só quem é negro tivesse isenção para gostar de literatura escrita por negros. Dizer isso ou é tolice ou má-fé.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

10 dicas para sexo oral - (Texto retirado do Manual do Cafajeste)

Eu sempre encarei o sexo oral como algo muito mais íntimo que a própria penetração. Confesso que não costumo cair de boca em qualquer pessoa que transo, há uma série de pré-requisitos para isso.

Como adoro receber um oral, eu também faço a minha parte, procurando deixar o pau sempre bem apresentável. Acontece que pouca gente sabe fazer um oral bem feito. Por isso levantei 10 pontos para serem postos em prática:

1 - Surpreenda. É insuportável ter que pedir para assumir seu papel no sexo oral ou dar a famosa (e inconveniente) tocadinha na cabeça da pessoa para mostrar o caminho. Quando vocês tiverem trocando uns carinhos, vai lá e dá o seu recado;

2 - Oral fast-food não! É bem desagradável quem só faz oral por obrigação, para seguir a cartilha do sexo, e aí dão uma chupadinha de 30 segundos apenas. Se você não gosta, não faça. Se fizer, perca uns minutinhos lá (é preciso ter feeling);

3 - Cuidado nas mordidas. Uma mordidinha de leve é até interessante. Agora não morda como se fosse um chiclete, a cabeça é extremamente sensível;

4 - Cuidado com os dentes. Esse é o mais comum. Tem gente que não abre a boca direito ou que movimenta o pau com os dentes, e aí fica raspando e machucando. Tente usar mais os lábios;

5 - Utilize temperos. Há uma série de ingredientes que colaboram pra deixar o oral mais interessante. Um deles é o Halls preto e a água gelada (ou a combinação explosiva de ambos). Ponha um na boca e toma uns goles de água, depois mande ver, é indescritível a sensação. Leite condensado e marshmallow também são uma boa pedida;

6 – É sempre bom quando, quem está fazendo um oral, olha nos olhos;

7 - E o saco escrotal? Há quem sinta nojo, há quem o ignore e pouca gente conhece o poder que ele tem. Um oral bem feito abrange, naturalmente, não só o pau, mas também o saco. Há um monte de terminação nervosa nele, o que o torna uma boa fonte de prazer quando estimulado. Dê umas lambidas e chupadas nele (de leve), o resultado é imediato;

8 - Elogie. Pode parecer um pouco constrangedor, mas um elogio curto e sincero (principalmente) é sempre muito bem vindo e inesquecível (homem adora quando elogiam o seu membro);

9 - A polêmica: engole ou cospe? Para mim isso é indiferente. O que é bem excitante é chegar ao clímax na boca de quem chupa, não porque haja prazer em ver esperma na boca, mas porque na hora do orgasmo o membro está sendo estimulado e isso prolonga o prazer;

10 - Beijo depois do oral? Fico indignado com a grossura de alguns homens. Poxa, a pessoa deu tudo de si no sexo oral, por que ter nojo de beijar? Isso eu acho meio injustificável.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vira-latas [Luiz Felipe Pondé]

O brasileiro tem complexo de vira-lata. Adora bancar o chique falando mal de si mesmo. Principalmente quando alguém chique (leia-se, europeu) fala mal do Brasil. Um modo específico de nosso complexo de vira-lata é achar a Europa o máximo.

Quem conhece bem a Europa e ultrapassou a caipirice de achar tudo lindo por lá sabe que os europeus são (também) arrogantes, metidos, preconceituosos e exploradores e pensam, ainda hoje, que somos uns "índios" mal alimentados, ignorantes e mal-educados.

Claro que há exceções, portanto, não se faz necessário que europeus me escrevam jurando que são legais, ou que seus avós são legais, ou que seus cachorros são criados com todos os direitos humanos, mesmo porque, apesar de que isso não é sabido, ninguém pode ajuizar sobre sua própria virtude. Lamento pela gente que se julga "crítica e consciente", mas todo mundo que se acha legal por definição é um mentiroso.

Se você for uma leitora que um dia mochilando pela Europa transou com um europeu (europeus costumam adorar brasileiras, porque acham nossas mulheres fáceis e doces, coisa rara nas mulheres europeias de hoje em dia, que a cada dia se tornam mais chatas, competitivas e estéreis), não confunda o papo que teve com ele antes do coito com o fato de que os europeus nos acham subdesenvolvidos. Inclusive porque para eles você é fácil porque é subdesenvolvida.

Sim, achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega. Se você pensa assim, tome um remédio. Ou minta. Recentemente, um intelectual europeu em visita ao Brasil fez críticas ao país. Nada que não saibamos sobre nós mesmos. Mas, logo, alguns intelectuais e artistas vira-latas tiveram um orgasmo porque o "sinhozinho" falou mal das "zelites".

Sim, a elite brasileira pode ser bem brega na sua condição de elite de colônia. E horrorosa na sua ignorância "luxuosa". Aqui, ostentação é destino. Pessoas educadas sabem que a felicidade (seja lá no que for) deve ser guardada a sete chaves. Só gente brega "mostra" que é feliz. Neste caso, um toque de melancolia é elegância. Por exemplo, o hábito de cultuar restaurantes pretensiosos como "de Primeiro Mundo" porque são caros é comum entre nós.

Dizer que você esteve em tal restaurante "caríssimo" (sempre pretensioso) é atestado de breguice. Mas julgar alguém "superinteligente" porque vem da Europa também é brega. É fácil posar de "culto e crítico" e ficar horrorizado com nossas injustiças sociais quando se teve a chance de ganhar muito dinheiro ao longo da história à custa das injustiças sociais dos outros. Europeu que se faz de rogado pela injustiça no mundo só cola em vira-lata.

Por outro lado, se a riqueza cultural europeia é óbvia, e não se trata de negar este fato, ela se deve em grande parte às injustiças sociais europeias do passado e não ao seu "estado de bem-estar social" atual. Este tipo de "estado" produz apenas banalidades e monotonias de classe média.

Uma grande falácia é supor que injustiça social e riqueza cultural sejam excludentes, pelo contrário. Ou que justiça social produza necessariamente originalidade intelectual. Não sou um "patriota", patriotismo é para canalhas. Calabar -que optou pelos holandeses em detrimento dos portugueses no Pernambuco colonial- pode ter razão. Falo aqui apenas de nosso complexo de vira-lata.


É muito comum que grandes intelectuais estrangeiros venham a nossa terra inculta e falem um "feijão com arroz" básico supondo que somos ignorantes mesmo e por isso não precisam suar a camisa diante de nossas plateias que sacodem seus ouros, exibem seus decotes e orelhas de livros. Já vi isso acontecer várias vezes. Também no mundo acadêmico isso acontece, não só no mundo da filosofia de luxo.

Um grande professor que tive e que vive na Europa há anos me disse certa feita que até hoje os europeus não acreditam que "na volta das caravelas que colonizaram as Américas" pode haver algum "índio" que seja igual ou melhor do que eles. A afetação moral em europeus não é muito diferente da afetação intelectual de nossos decotes de marca.


Luiz Felipe Pondé graduou-se inicialmente em Medicina pela Universidade Federal da Bahia e, depois, em Filosofia Pura pela USP – Universidade de São Paulo. É Doutor em Filosofia Moderna pela USP/Universidade de Paris e Pós-Doutor pela Universidade de Tel Aviv, Israel. Atuou como professor convidado nas universidades de Marburg (Alemanha) e de Sevilha (Espanha). Atualmente é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-SP, professor titular da Faculdade de Comunicação da FAAP.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Hoje eu estou feliz... [Caio Botelho]

Finalmente a justiça está começando a ser feita. Uma liminar expedida pelo juiz Paulo Albiani interrompeu as fraudulentas eleições para a diretoria do Esporte Clube Bahia no início da tarde de 07/12, destituiu Marcelo Guimarães Filho, Ruy Accioly, e retirou do Conselho Deliberativo os seus poderes. O interventor nomeado, Dr. Carlos Rátis, que conheço bem, é um homem sério e terá condições de conduzir as próximas eleições para o Conselho, além de evitar que o Bahia "pare" em um momento tão importante.

O mais importante é deixar claro que o Bahia não pode mais ser tratado como quintal da casa de MGF e como palanque para ele e seu pai alçarem cargos eletivos. Ele, que prometeu realizar eleições diretas - como é o desejo de todo torcedor tricolor - não cumpriu com a sua palavra. Nos seus três anos de gestão, o tricolor não conquistou nenhum título e, nesse ano, ficou em terceiro lugar no Campeonato Baiano, foi eliminado da Copa do Brasil após uma goleada por 5x0 e escapou do rebaixamento na penúltima rodada. Pra não lembrar da contratação de Paulo Carneiro. Aliás, o Bahia de hoje fez uma série de contratações caras e que não renderam o esperado (ou alguém acha que Calos Alberto paga o salário que recebe?).

A gestão de Marcelinho, que só em bilheteria no Campeonato Brasileiro arrecadou R$ 10 milhões (pra não falar em patrocínios, cotas de televisão, vendas de produtos, etc), não presta contas das finanças do clube, e ninguém sabe como ele e o poderoso chefão Paulo Angioni gastam esse dinheiro.

Alguns ainda dizem: mas foi Marcelinho quem subiu o Bahia! Ora, foi o modelo de gestão medieval que Marcelinho representa que afastou o Esquadrão por sete anos da elite do futebol! Não há diferenças entre ele e Petrônio, entre ele e seu pai, Marcelo Guimarães, entre ele e Pithon. São todos farinha do mesmo saco e representam o mesmo jeito paternalista e truculento de dirigir um clube de massas.

Quem trouxe o Bahia de volta para a 1ª Divisão foi a tradição do Esquadrão e, principalmente, a sua imensa torcida, que nunca abandonou o seu time de coração e sempre lotou os estádios, cantando e empurrando nosso tricolor rumo à dias melhores, e não dirigentes incompetentes que não honram as duas estrelas que carregamos em nosso peito.

Outros também falam: tudo bem, mas a oposição devia ter montado uma chapa e disputado no voto! COMO? Eles sequer publicam a relação de membros do Conselho Deliberativo do clube! A oposição vai pedir voto pra quem, se não sabe quem vota? Além do mais, de modo arbitrário eles mudam o Conselho sem mais nem menos: no final do ano passado substituíram em uma canetada só 58 conselheiros de um total de 324 (!). Assim fica fácil ganhar eleição. Por isso, inscrever chapa nessas condições seria legitimar um processo eleitoral ilegítimo.

Mas devolvo o desafio: se Marcelinho tem tanta certeza de que tem o apoio da maioria da torcida, então porque não convoca eleições diretas e vem disputar essa eleição no voto? Mas não no voto de poucas cabeças escolhidas por ele, mas sim pelas dezenas de milhares de sócios que o Bahia tem potencial de possuir. Tem medo de quê, MGF?

Não acho que a via judicial é a mais adequada para resolver disputas internas. Mas se tem algum culpado disso é Marcelo Guimarães Filho. Bastava ter cumprido o que prometeu que, além de tudo isso ser evitado ele ainda entraria para a história como o homem que democratizou o Bahia - provavelmente contaria até com o meu voto. Mas fez o oposto e por isso conta com a minha oposição.

Defendo um Bahia forte, e por isso apoio a Revolução Tricolor, a Associação Bahia Livre e o Movimento Unidade Tricolor, que há anos tem feito oposição ao clã Guimarães (sem se omitir de apresentar propostas e sugestões).

Também é bem capaz que essa liminar seja derrubada e Marcelinho volte ao poder: infelizmente a nossa justiça serve, antes de tudo, a quem tem dinheiro. Mas só pelo fato de que hoje eu vou encostar a minha cabeça no travesseiro sabendo que esses caras não mandam no Bahia, podendo chamar MGF de ex-presidente e, principalmente, com a certeza de que a oposição sai fortalecida desse processo já é uma grande conquista.

E na semana em que o futebol brasileiro perdeu o grande Sócrates, o inventor da Democracia Corintiana, bem que poderíamos homenageá-lo criando a Democracia Tricolor. Essa não é uma disputa pra ver quem é mais ou menos torcedor do Bahia. A única coisa que todos nós queremos é devolver o Bahia à sua nação de 8 milhões de apaixonados. Queremos participar e decidir os rumos de nosso clube de coração. Queremos eleições diretas. Queremos DEMOCRACIA!

Fora Marcelo Guimarães!!!


Caio Botelho é estudante de Direito, sócio e apaixonado torcedor do Esporte Clube Bahia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dar prazer ao homem é fundamento da vida amorosa [Maria Rita Kehl]

Muita gente se chocou com a (suposta) brincadeira do candidato Ciro Gomes quando disse a um repórter que "o papel de minha mulher na campanha é dormir comigo".

Frase bem típica de macho nordestino, herdeiro de muitas gerações de coronéis acostumados a mandos e desmandos, para quem mulher boa é mulher calada. Mas, pensando bem, não é essa a frase que a maioria dos homens brasileiros, de norte a sul do país, gostaria de poder dizer impunemente? "O papel de minha mulher na minha vida é me dar prazer."

Somos bastante hipócritas em relação a isso. O feminismo brasileiro importou da vanguarda americana uma detestável parcela de puritanismo sexual. Não sei se Patrícia Pillar reclamou na intimidade; em público, foi disciplinada e levou no bom humor. Soube, como poucas mulheres, colocar o interesse público (supondo que a candidatura Ciro represente interesses públicos) à frente de suas reivindicações privadas.

Também não sei se teria razões para se ofender. Lula, principal rival de Ciro nessa campanha, costuma dizer que o preconceito é como a gripe: só pega em quem já está fragilizado. O preconceito só atinge quem se identifica com ele. O papel de "dormir com ele" pode ofender uma esposa profissional, das que escolheram anular todas as outras ambições pessoais para melhor servir ao marido. Ofende porque revela a pobreza dessa condição. Mas não sei se ofenderia uma mulher que, além do (agradável) papel de objeto sexual, sabe que tem outros interesses e outras qualidades.

Quem há de negar que o prazer é o fundamento da vida amorosa? Respeito, admiração, amizade, projetos em comum, são importantes para viabilizar e dar consistência ao amor. Para impedir que ele se esgote na consumação da paixão sexual. São a face civilizada do amor. Nós, seres civilizados até prova em contrário, valorizamos o respeito e a admiração (de preferência, mútuos) entre os casais, assim como prezamos os projetos ambiciosos e a dedicação às belas "obras da cultura", como dizia Freud, que ampliam o sentido da vida para além daquele que nos oferece o princípio do prazer.

Nada disso, no entanto, substitui o leite e o mel com que o prazer vem suavizar a aridez da vida. As mulheres sabem disso. Sabem também como é bom ocupar o lugar de objeto do prazer e do desejo de alguém. Sabem melhor do que os homens, que tradicionalmente sempre foram sujeitos da História e morrem de medo de experimentar a posição de objeto. Morrem de medo de gostar. Pensam que a masculinidade é incompatível com uma certa passividade. São bobos os homens! Ou nem todos, felizmente.

Já as mulheres não precisam bancar as puritanas – desde que fiquem espertas. Não se trata, como pensam algumas feministas, de evitar a todo custo o papel de objeto sexual, e sim de não se confundir com ele. Se a mulher de um candidato está a fim de desempenhar um papel decorativo na campanha e depois desfrutar as noites junto dele, bom para ela. Esse é seu papel – no amor!

Mas que não seja seu único papel na vida – esta seria uma escolha infeliz. Ser "toda" objeto de prazer para o outro é uma bela cilada. Mesmo porque os homens – pelo menos os que valem a pena – só querem em sua cama uma mulher que escape de seu domínio. Que não pertença tão completamente a eles.


Maria Rita Kehl é psicanalista, escreveu este texto durante a campanha eleitoral de 2006. Ciro Gomes tinha sido enxovalhado pela mídia que o considerou "machista".